Escuta abre ao público o registro do segundo segmento, e 6.300 traduções chegam em um dia
Registro bruto da parte ainda não traduzida da resposta da Segunda Voz passou a ser distribuído pela banda pública no sábado; a rede diz que só analisa propostas que venham com método e que não vai comentá-las uma a uma.
A Escuta publicou ao meio-dia de sábado, pela banda pública, o registro bruto completo do segundo segmento da resposta da Segunda Voz, a parte da emissão de 27 de setembro que a equipe de tradução da rede ainda não conseguiu ler. Até então, o arquivo só circulava entre as âncoras acadêmicas dos onze mundos. Em 24 horas, segundo a rede, foram feitas 1,2 milhão de cópias, e o formulário aberto para sugestões recebeu 6.300 propostas de tradução.
O coordenador Ravi Ostrowski justificou a abertura em nota curta: o registro é de interesse público, foi pedido formalmente por quatro parlamentos, pelo Pacto das Linhagens e pela Herança Una, e nenhuma regra da Escuta autoriza retê-lo. "Publicar o registro não é traduzir", escreveu. "A tradução oficial sai quando a equipe tiver uma, e não antes."
A chefe da equipe de tradução, Iara Mendoza-Kaur, que interpreta as emissões da Segunda Voz desde 2241, estabeleceu um critério para as sugestões: só entram em análise as que vierem acompanhadas do método usado e de pelo menos uma emissão anterior da Segunda Voz lida pelo mesmo método. Segundo ela, das 6.300 propostas recebidas até a manhã de domingo, 212 cumpriam a exigência. "A maioria das pessoas mandou a frase que gostaria de ler", disse. "É compreensível. Não é tradução."
A equipe não divulgou nenhuma leitura parcial. Questionada se a abertura tem relação com a votação do Estatuto das Vozes, marcada para 14 de outubro, a rede respondeu que não, e que o calendário da Assembleia não interfere no da tradução.
Houve objeções. O linguista Teodoro Vance-Amaral, do Instituto Damásio, disse temer que leituras populares do segundo segmento passem a circular como fato entre famílias da Geração Sinal, como aconteceu com a primeira frase no dia da resposta, quando se espalhou a ideia de que as crianças pararam de sonhar porque a Terceira Voz "está ouvindo". O protocolo Damásio-Escuta, lembrou, já rejeitou essa associação em nota. "Aconteceu com a primeira frase em menos de seis horas", afirmou.
Nas escadarias do observatório, a vigília de sábado à noite reuniu cerca de 2.500 pessoas, segundo a Escuta, menos que no domingo da resposta. Vários grupos levavam o traçado do segundo segmento impresso em folhas comuns e o comparavam, à luz das lamparinas, com o do primeiro. Os funcionários mantiveram o recado distribuído com o chá: "Resposta recebida. Seguimos".
A Terceira Voz completa neste domingo 80 dias sem tráfego. A professora Anna Okonkwo-Levy, que está em Lisboa desde segunda-feira, não comentou a publicação. A Escuta informou que a cópia impressa do segundo segmento que ela pediu no dia da resposta foi entregue em 27 de setembro.
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