Zéfiro aprova o Terceiro Anel e abre as portas para 400 mil novos moradores
Conselho Eólico aprova por 61% a maior obra civil da história das cidades aéreas; expansão deve receber moradores a partir de 2250, e acordo com estivadores destravou a votação na última hora.
O Conselho Eólico de Zéfiro aprovou na noite desta terça-feira, por 61% dos votos contra 37%, o plano de expansão do Terceiro Anel — a maior obra civil já tentada nas cidades aéreas de Júpiter. O projeto prevê 34 novos bairros suspensos no nível 0,54 bar, capacidade para 400 mil moradores até 2250 e um orçamento de ₲ 92 bilhões, dividido entre o consórcio municipal, o Concerto e uma participação minoritária — e disputada — da Vale-Ceres.
A votação encerrou onze dias de impasse que começaram fora do plenário: a União dos Estivadores do Alto, que opera as colheitas de hélio-3 e teria de sustentar o dobro do tráfego de carga durante a construção, manteve a categoria parada até a manhã de ontem. O acordo que destravou a greve — reajuste de 9% e a chamada "cláusula de sombra", que limita a exposição radiológica acumulada por turno — foi assinado às 9h40, hora local, e mudou o humor do Conselho em poucas horas.
"A cidade não pode dizer não a quem chega", disse a prefeita Dagny Boaventura, patrona do projeto, citando os 130 mil pedidos de residência que Zéfiro acumula em fila. "Nós fomos todos, em algum momento, o migrante que olhou para este céu e pediu licença para ficar."
A oposição concentrou os votos contrários na bancada de Bóreas, a cidade-mãe das Eólicas, que teme perda de população e de peso político. "Zéfiro está construindo um país, não um bairro", afirmou o conselheiro Otto Lindgren-Sá. "Quando o Terceiro Anel abrir, seremos um distrito pitoresco na sombra de uma metrópole." A prefeitura de Bóreas não respondeu até o fechamento.
Há também a questão do sócio. A Vale-Ceres, que entra com ₲ 14 bilhões e o transporte pesado, tentou vincular o aporte a direitos de preferência sobre as safras de hélio da próxima década — cláusula retirada do texto final após parecer contrário da procuradoria do Concerto. "Seguimos no projeto porque acreditamos nele", disse a presidenta da mineradora, Yara Montclair, em nota que não menciona a cláusula retirada.
Engenheiros ouvidos pela reportagem lembram que o desafio técnico é menos o tamanho e mais o vento: o Terceiro Anel amplia em 40% a área exposta da cidade às correntes jovianas, e o véu diamagnético precisará ser reancorado em 217 pontos sem nunca ser desligado. O simulado da manobra, rodado pelo núcleo municipal durante 14 meses, prevê a operação para o inverno de 2248. "É como trocar o casco de um navio com o navio no mar, cheio de gente", resumiu a engenheira-chefe do projeto, Íngrid Awad, "e nós vamos fazer isso porque é o que esta cidade sabe fazer".
Aprovado o plano, a fila andou no mesmo minuto: o sorteio dos primeiros 40 mil lotes residenciais será em novembro, com prioridade para quem espera há mais de cinco anos e para famílias de estivadores — item incluído no acordo que encerrou a greve.
No Mirante do Anel Dois, onde a votação foi transmitida em telão público, a aposentada Nadia Ferreira-Kimura, 88, chegou cedo para garantir lugar. Ela desembarcou em Zéfiro em 2203, quando a cidade tinha um anel só. "Eu vim para ficar dois anos e já vão 44", disse, olhando a Grande Mancha ao longe, do tamanho de uma moeda. "Júpiter é isso. A gente vem pelo salário e fica pelo céu."
Alvor ensaia a posse, e a bússola que não funciona já está sobre a mesa
A cinco dias da transmissão de cargo, praça da Primeira Âncora recebe arquibancadas e o protocolo mais curto dos mundos é ensaiado duas vezes; Zhao-Travessia cumpre a última semana plantando uma muda no pomar que a sucessora saqueava aos oito anos.
Calmaria chega um dia antes do previsto, e Kizuna reabre a rota Luna–L5 em fases
Tempestade M-4 perde força na madrugada; travessias médicas e cargas vivas voltam ainda hoje, fila deve zerar no sábado — um dia antes — e as auroras se despedem das latitudes médias.