Dois coros vão cantar juntos no domingo separados por 18 horas de fila de banda
Concórdia e a Peregrina executam o terceiro ato de Var. no mesmo instante nominal, sabendo que nenhum dos dois ouvirá o outro ao vivo; a estreia conjunta só existirá na montagem, prevista para outubro.
Domingo, às 20h do meridiano de Concórdia, o coro da cooperativa de Concórdia vai cantar o terceiro ato de Var. No mesmo instante, contado pelo relógio de bordo, o coro da Peregrina vai cantar o mesmo ato, a mais de um ano e meio-luz de distância. Nenhum dos dois ouvirá o outro. A gravação de cada um leva dezoito horas na fila da banda de cortesia, e não existe engenharia que resolva isso.
Os organizadores decidiram chamar o evento de récita sincronizada mesmo assim, e a escolha da palavra é o assunto musical da semana nos mundos.
"A sincronia aqui não é acústica, é de intenção, e isso não é um consolo, é uma definição", disse a maestrina Ilka Souto-Bengala, que rege em Concórdia e trabalhou três anos com o eco da compositora. "Duas pessoas que rezam a mesma hora em cidades diferentes rezam juntas. Vamos cantar juntos do mesmo jeito, e depois vamos ouvir o que fizemos."
O que se ouvirá depois é a parte técnica. As duas execuções serão montadas em uma faixa única, alinhadas pelo compasso e não pelo tempo, e essa montagem, prevista para outubro, é a única forma em que a estreia conjunta terá existido. O regente de bordo, Dario Kessel-Peregrino, da terceira geração da nave, avisou o convés que o coro da Peregrina canta com repertório de dezenove anos atrás em tudo, menos nesta peça: Var. chegou completa em agosto, por cortesia do espólio, e é a partitura mais nova a bordo desde a partida.
A ópera segue em cartaz no Tejo-Auditório até novembro, com o mesmo público dividido de sempre. O terceiro ato, o mais contestado por ser o mais visivelmente escrito pela continuidade documental e não pela compositora viva, é justamente o escolhido para a récita. A produção informa que a escolha foi do coro da Peregrina.
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