Primeira pesquisa de Notos mostra empate técnico, e a semana de ofertas mexeu no jogo
Levantamento do Instituto Eólico registra 44% pelo sim, 43% pelo não e 13% de indecisos; oferta marciana rendeu seis pontos ao projeto, fundo da Vale-Ceres despertou desconfiança, e Ito-Brandt reage com a frase da campanha que não quer fazer.
Entenda esta história Moradia nas Eólicas
As Eólicas são cidades flutuantes na atmosfera de Júpiter. A expansão do Terceiro Anel de Zéfiro e o projeto de Notos, uma cidade-irmã de Bóreas, põem moradia, trabalho e dinheiro na mesma discussão. Para os moradores, a questão começa no endereço que poderão chamar de seu.
Veja os marcos e todas as matérias ↗O plebiscito de março ganhou seus primeiros números nesta segunda-feira, e eles desenham a disputa que Bóreas jurava não querer: empate técnico. Pela primeira pesquisa do Instituto Eólico de Opinião (2.400 entrevistados entre quinta e sábado, margem de três pontos), o "sim" à fundação de Notos tem 44%, o "não" tem 43%, e 13% não decidiram. Seis meses antes da urna, a cidade-irmã é, estatisticamente, uma moeda no ar.
O recorte que mais circulou foi o etário, por confirmar a intuição das passarelas: entre menores de 40 anos, o sim abre onze pontos; entre maiores de 80, um quinto do eleitorado da cidade-mãe, o não abre catorze. "Quem tem tempo pela frente quer fundar; quem fundou quer que dure o que existe", resumiu a diretora do instituto, Palova Ekwueme-Sá, alertando contra leituras apressadas: "Indeciso eólico decide tarde e junto. Março está a três tempestades daqui."
A pesquisa mediu também a semana de generosidades, e os resultados explicam alguns silêncios. A oferta marciana de aço e engenheiros é aprovada por 58% e, num cruzamento que Hellas lerá com prazer, moveu seis pontos líquidos para o sim entre os que a conheciam. Já o fundo habitacional da Vale-Ceres registra 51% de desconfiança em Bóreas ("ajuda com segunda intenção" foi a alternativa mais marcada), embora seja bem recebido em Zéfiro, onde mora seu público. "Bóreas audita até presente de aniversário", riu um dirigente sindical local. "É genético."
No fundo da tabela, o número que a prefeitura levará para casa: 71% dos entrevistados dizem confiar que "a cidade decidirá bem", o maior índice de confiança institucional já medido nas Eólicas. A prefeita Solana Ito-Brandt, fiel ao voto de não fazer campanha, comentou o levantamento inteiro em uma frase que já nasceu lema involuntário: "Plebiscito não é corrida; é inventário. A pesquisa diz que estamos contando com cuidado. Ótimo. Continuem."
O conselheiro Otto Lindgren-Sá, fiador do projeto, permitiu-se um ponto de leitura política antes de guardar os números: "O sim está ganhando sem campanha, contra dois cofres abertos e um século de prudência. Eu, no lugar do não, me preocuparia com o que acontece quando Bóreas terminar de auditar os abraços e começar a retribuí-los."
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