Hélio-3 cai 12% no mês após safra recorde nas Eólicas, e Vale-Ceres corta projeções
Quilo fecha a ₲ 8.410 no menor preço em seis anos; colheita somou 41 mil toneladas, mineradora reduz guidance de 2248 e estivadores saem do acordo salarial com o vento a favor.
O quilo do hélio-3 fechou esta segunda-feira cotado a ₲ 8.410 na bolsa de Ceres: queda acumulada de 12% em agosto e o menor preço desde 2241. O movimento tem uma causa simples e nenhum mistério: a safra que se encerra nas Eólicas somou 41,2 mil toneladas, a maior já registrada, 18% acima da média da década, puxada por uma temporada de correntes estáveis e pela entrada em operação dos novos colhedores da plataforma Hélio-Delta.
Para quem paga conta de energia (todo mundo), a notícia é boa e discreta: o hélio pesa pouco no preço final da fusão, e a tarifa média do Concerto deve recuar cerca de 1% no trimestre, segundo estimativa da agência reguladora. Para quem vive de vender o gás, o cálculo é outro. A Vale-Ceres, que detém participação nas colheitas e o transporte pesado da rota joviana, cortou de 8% para 3% a projeção de crescimento da divisão de energia em 2248. A ação recuou 4,1% no anúncio.
"Safra recorde é problema de rico, mas é problema", disse a presidenta da companhia, Yara Montclair, a analistas. A executiva evitou ligar o corte de projeções ao outro dossiê joviano da empresa: a fatia de ₲ 14 bilhões no Terceiro Anel de Zéfiro, que vai a voto no Conselho Eólico na noite de terça-feira já sem a cláusula de preferência sobre safras futuras que a mineradora negociava. Questionada, limitou-se a: "Nós participamos de obras, não de plebiscitos".
No mercado, a leitura é menos diplomática. "A Vale-Ceres queria travar preço de hélio na década seguinte justamente porque via a oferta crescer; perdeu a cláusula e uma semana depois corta guidance. O mercado sabe somar", disse o analista Bruno Kajiwara, da corretora Cinturão Capital, que recomenda posição neutra no papel.
O preço em queda chega, por fim, num momento curioso para a União dos Estivadores do Alto: o reajuste de 9% e a cláusula de sombra foram assinados na manhã desta segunda-feira, quando o gás já acumulava queda no mês. "Assinamos correndo, antes que caísse mais", reconheceu, rindo, o diretor do sindicato, Malaquias Djalo. "Nosso assessor econômico vai ganhar uma placa."
A próxima safra abre em março. Até lá, o contrato futuro para 2248 negocia a ₲ 8.900: o mercado aposta em reversão parcial, e as Eólicas, como sempre, apostam no vento.
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