Primeiros jovens da Geração Sinal chegam aos 17 anos, e ninguém sabe o que vem aos 18
Censo registra o primeiro aniversário de 17 anos da coorte de 2230; 214 jovens completam a idade até dezembro, e a pergunta que pesquisadores, escolas e órgãos de licença evitavam passa a ter data.
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Jovens da Geração Sinal relatam percepções que a ciência ainda não consegue explicar. Escolas, famílias e pesquisadores procuram formas de acompanhá-los. A discussão passa pelo consentimento para pesquisas e pelo direito de crescer sem ser reduzido a um caso de estudo.
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A Geração Sinal tem, desde segunda-feira, uma pessoa de 17 anos. Segundo o cadastro do censo de 2247, o jovem identificado com a data de nascimento mais antiga da coorte, nascido em 5 de outubro de 2230, fez aniversário na segunda-feira. A família pediu ao instituto de recenseamento que não fossem divulgados nome, mundo de residência ou qualquer detalhe que permitisse identificá-lo, e o pedido foi atendido. Até 31 de dezembro, outros 213 jovens completam a mesma idade.
O número é pequeno diante dos 118 mil identificados no censo, mas encerra uma regra que valia desde o primeiro registro: a de que a Geração Sinal era, inteira, uma geração de crianças. Toda a política pública construída em torno dela, das salas de sono acompanhado de Concórdia ao estatuto escolar em discussão no Concerto, parte dessa premissa.
A pergunta que se impõe agora não tem resposta. Nenhum adulto jamais apresentou percepção não-local mensurável, e não se sabe se os episódios dos mais velhos da coorte vão continuar, diminuir ou cessar. O Instituto Damásio acompanha 1.900 jovens nascidos entre 2230 e 2232 e informou, em nota, que a frequência de episódios nesse grupo não mostrou variação estatisticamente significativa nos últimos três anos. A nota acrescenta que a amostra de maiores de 16 anos "é pequena demais para qualquer projeção".
Nas escolas, a mudança é concreta. "Temos protocolos para crianças. Para um aluno que dirige, vota em conselho estudantil e pode trabalhar meio turno, não temos nada", disse a pedagoga Marlene Duarte-Osei, coordenadora do piloto das salas de sono, que atende apenas alunos de até 14 anos.
Fora da escola, as consequências começam pelas licenças. A Liga de Marte exige que candidatos a piloto declarem a condição Sinal no exame médico, e a autoridade de trânsito de Hellas nunca definiu o que fazer com a declaração. Joaquim Ferraz-Odum, cujo filho de 16 anos pretende pedir a licença de piloto de superfície no ano que vem, enviou a pergunta à autoridade em julho e ainda não recebeu resposta. "Ele não quer saber o que tem. Quer saber se pode pilotar", disse.
O estatuto escolar, cujo texto-base foi apresentado em 25 de setembro, também ganha um prazo real. Se aprovado como está, o artigo 29, chamado nos corredores de cláusula Kowalski, fará com que o primeiro jovem da coorte decida, em outubro de 2248, se os dados de pesquisa colhidos durante a infância continuam ou não em arquivo. O relator Milo Andrade-Kettil informou que a comissão de educação recebeu até agora 1.140 pedidos de emenda e que nenhum altera o artigo 29.
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