Rubras de Hellas vencem a Armstrong FC na morte súbita e levam o tri da Liga dos Mundos
Final da Queda Livre termina 7 a 6 após 96 minutos; Teo Vasquez marca o gol de eixo na prorrogação, é eleito MVP e dedica o título "a quem treina em corredor de mina".
Aos 96 minutos, com as duas torcidas já sem voz e sem unhas, Teo Vasquez fez o que os piloto-âncoras sonham desde a escolinha: cruzou a Esfera inteira em rotação limpa, roubou o eixo da defesa lunar e cravou o disco no anel alto. Rubras de Hellas 7, Armstrong FC 6, morte súbita em eixo, e o terceiro título marciano na Liga dos Mundos — o primeiro desde 2239.
A final deste sábado na Esfera de Concórdia, com 38 mil pessoas flutuando em arquibancada de tração e recorde de audiência por Enlace nas colônias, pagou a rivalidade que prometia. A Armstrong, campeã dos últimos dois ciclos, abriu 4 a 2 no segundo terço com a rotação ofensiva mais rápida da temporada. As Rubras empataram no fim do tempo normal com dois gols de rebote da veterana Ìfé Salgado-Kant, 36, que jogou a final com o ombro imobilizado por trava fisiológica. "Trava é para o ombro, não para mim", disse ela, entre risos, na zona mista.
Na prorrogação, valendo o eixo — o toque no anel central que encerra o jogo —, a Armstrong teve a primeira chance e parou duas vezes na goleira marciana Solveig Andrade-Musa, eleita a melhor da posição pelo quarto ano. No contra-ataque, Vasquez, 24 anos, o menor jogador em quadra e o mais rápido em rotação da liga, resolveu.
"Em Hellas a gente aprende Queda Livre em corredor de mina desativado, com colchão emprestado e a gravidade errada", disse o MVP, embrulhado na bandeira da Liga de Marte. "Esse título é de quem treina onde dá. O domo ensina: parede nenhuma segura promessa."
Do lado lunar, o técnico Auro Bekele-Strand assumiu a escolha de segurar o ritmo na prorrogação: "Apostei no cansaço deles e o menino não se cansa. O esporte é isso — ano que vem a Esfera está aí." A capitã da Armstrong, Rosa Tenório-Faye, resumiu o vestiário derrotado em uma frase: "Perder de 7 a 6 numa final é o jeito que a Queda Livre tem de dizer que ninguém mereceu perder."
A festa marciana terá gosto de política, como tudo entre Marte e o Concerto: o troféu será recebido em Hellas pela primeira-ministra da Liga, e o desfile das Rubras está marcado para o aniversário do Acordo de Hellas — coincidência que o clube jura que é do calendário. Em Concórdia, ninguém acreditou, e em Hellas, ninguém se importou.
Vasquez recusa proposta recorde da Armstrong e renova com as Rubras — "domo não se troca"
Três dias depois do gol de eixo do tri, MVP da final assina por mais três temporadas em Hellas; lunares ofereceram o maior contrato da história da Queda Livre e ouviram um não de uma frase.
Alvor ensaia a posse, e a bússola que não funciona já está sobre a mesa
A cinco dias da transmissão de cargo, praça da Primeira Âncora recebe arquibancadas e o protocolo mais curto dos mundos é ensaiado duas vezes; Zhao-Travessia cumpre a última semana plantando uma muda no pomar que a sucessora saqueava aos oito anos.