Museu da Restauração abre oficina para ler objetos que já não funcionam
Programa recebe 24 pessoas por turma e começa por aparelhos da sala do smartphone; conservação das peças vem antes de qualquer tentativa de ligar uma tela.
O Museu da Restauração abriu inscrições para uma oficina de leitura de objetos domésticos dos séculos XXI e XXII. São 24 vagas por turma, com encontros aos sábados a partir de 24 de outubro. A primeira série trabalha com réplicas de carcaças, fotografias de desmontagem e registros de uso da sala do smartphone, a mais visitada do museu.
O programa não oferece conserto de aparelhos antigos nem pretende colocar baterias de arquivo em operação. A curadora Rosa Kato-Mbaye explica que marcas de desgaste, remendos e etiquetas podem informar mais sobre uma rotina do que a reprodução de uma interface. Os originais permanecem nas condições de conservação estabelecidas pela equipe.
"Há uma diferença entre demonstrar como o objeto era usado e fazer o objeto funcionar outra vez. Aqui vamos começar pela primeira tarefa", disse a curadora. Os participantes receberão fichas com o material disponível, as partes reconstituídas e as informações que continuam ausentes. Não será permitido completar a história de um proprietário com uma simulação apresentada como depoimento.
Entre os exemplos está uma capa de telefone presa com linha de costura. A etiqueta antiga do acervo registrava apenas o modelo e o ano aproximado. O exercício pede que a turma descreva o reparo sem atribuir ao dono uma profissão, uma renda ou uma intenção que o objeto não demonstra.
O setor educativo defende o uso das réplicas para que os visitantes possam tocar as peças. Um grupo de pesquisadores consultado durante a montagem pediu que cada cópia tenha a identificação visível mesmo fora da mesa de trabalho. A equipe incorporou a exigência e decidiu guardar as réplicas em caixas distintas das usadas pelo acervo.
A oficina faz parte da programação sobre o Estreitamento e a Restauração. O museu mantém a apresentação desses períodos por documentos, testemunhos preservados e séries ambientais; não vai atribuir a um aparelho doméstico a função de explicar sozinho a crise daquele século.
As inscrições são gratuitas e fecham quando as vagas forem preenchidas. A equipe manterá uma lista de espera para desistências. A primeira série terá quatro encontros. Menores de idade podem participar com responsável, sem necessidade de ceder imagem ou voz ao museu.
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